Postagens

Tábua de salvação

Tábua de salvação George Vidor (*) Macaé foi o município que liderou em junho a arrecadação de royalties e participações especiais recolhidas pelas empresas que exploram petróleo no mar. Mas logo em seguida aparecem nessa lista Maricá e Niterói, favorecidos pela produção crescente nos campos de águas ultra profundas da Bacia de Santos. Na Bacia de Campos, a produção é declinante. Alguns campos lá poderão ser recuperados com técnicas que aumentam a vida útil dos reservatórios, porém, caso não haja novas descobertas, a Bacia de Santos assumirá por muito tempo a liderança da produção de petróleo e gás no Brasil, somente com os campos que estão em desenvolvimento.  A cidade de Macaé luta para se manter como polo importante de atração de companhias de petróleo. Seu porto está no limite da capacidade para receber embarcações de apoio às plataformas, e o Açu, não muito distante vai ocupando espaços. Macaé espera ter mais chances com a privatização do aeroporto, incluído pelo govern...

Um carioca no interior

Jornal do Brasil GEORGE VIDOR* Stefan Zweig, que morreu aos 62 anos, em Petrópolis, escrevia maravilhosamente. Difícil dizer qual é sua obra-prima. Seriam várias, se pudesse existir mais de uma obra-prima, uma incongruência aritmética. Mas entre essas “obras-primas” certamente está o seu livro de memórias “O mundo que eu vi”, no qual narra impressões sobre as mudanças ocorridas do fim do século 19, à Primeira Guerra e ao período entre guerras. Zweig se considerava um velho. Matou-se, em pacto de morte com a própria mulher, porque não se considerava mais com a idade ou em condições para esperar o fim do pesadelo que a Europa vivia. O nazismo estava em ascensão e a barbárie ainda não era amplamente conhecida. O escritor sabia que eles seriam vencidos, porém resolveu jogar a toalha antes do tempo. Pena porque a criação de “obras-primas” foi interrompida. Como já estou com mais idade que Zweig, vai chegando a necessidade de escrever coisas sobre “o mundo que eu vi”. Sensação que bat...

Lançamento do Livro - Os Leite Barbosa ( A Saga da Corretora que Revolucionou o Mercado )

Imagem
SINOPSE O mercado de capitais brasileiro é ainda pequeno proporcionalmente ao tamanho da economia do país e em comparação aos das grandes bolsas internacionais. Mas é um mercado tecnicamente sofisticado onde todas as transações são realizadas por via eletrônica, com autorregulação e fiscalização permanente. Mas nem sempre foi assim. Nos primórdios do mercado, as ações eram transacionadas nas bolsas de valores a viva-voz e títulos públicos ao portador, com valores altíssimos, eram transportados de uma instituição financeira para outra nas mãos de liquidantes. Nesse mercado ainda amador, nos anos 1950, 1960 e 1970, uma corretora se destacou, M. Marcello Leite Barbosa, criada por um entusiasmado cearense que chegou pobre ao Rio de Janeiro, adolescente, atrás de oportunidades. Por ela passaram muitas pessoas que depois viriam a se tornar notáveis no mercado. A corretora teve uma ascensão extraordinária, com resultados comparáveis aos de grandes bancos brasileiros da época. Mas sofreu, v...

A viagem possível

A viagem possível Jornal do Brasil GEORGE VIDOR* Os primórdios da nossa civilização, com seus resquícios históricos, estão situados em áreas hoje muito conflagradas. Não passa, hoje, pela cabeça de ninguém visitar Síria, Iraque ou Líbia. Mesmo Líbano, Irã, Egito, Tunísia, Argélia e até Turquia envolvem certos riscos. Para Israel, cristãos e judeus vão por insistência, em busca das origens de sua fé. O Marrocos, felizmente, continua à margem dessa confusão, ainda que não tenham sido poucos os jovens de origem marroquina que se alistaram no terrível Estado Islâmico. É curioso como o Marrocos vai contornando a crise permanente no Oriente Médio e vizinhos do Norte da África. A religião muçulmana prevalece; os moazin convocam os fiéis para as rezas cinco vezes ao dia pelos alto-falantes instalados no topo dos minaretes das mesquitas espalhadas por toda a parte. A gente simples do povo anda de túnicas – que curiosamente, são de origem judaica, pois tribos vindas de Israel (Ben Israe...

Prejuízo incalculável

Prejuízo incalculável Jornal do Brasil GEORGE VIDOR* Muito difícil calcular o que o país perdeu com a greve/locaute dos caminhoneiros. As estimativas se baseiam nos prejuízos de produtores de alimentos perecíveis. Mas é incalculável a perda decorrente do que deixou de ser consumido, como um todo, no período em que o transporte foi quase totalmente paralisado pelos bloqueios e pela falta de combustíveis. Perdeu-se uma significativa parcela de arrecadação pelo que não foi consumido etc. etc. etc. A economia moderna funciona no modelo “just in time”. Ninguém fica carregando imensos estoques. As linhas de produção se encadeiam umas às outras em tempo real, o que reduz custos e traz benefícios para todos os que produzem e consomem. Um processo que neutraliza movimentos especulativos, tão comuns em outras eras da economia. Os transportes são um elo importante dessa cadeia produtiva. Ninguém tem dúvida disso. A preocupação com a segurança dos caminhoneiros é uma questão que deveria me...

A maldição de Aimberê

A maldição de Aimberê Jornal do Brasil GEORGE VIDOR* Quando a obra da linha 4 do metrô do Rio será concluída, estendendo-se o atual trajeto até a futura estação Gávea? Se depender da situação financeira do governo estadual, responsável pelo investimento, isso ficará para as calendas gregas. O desequilíbrio fiscal do Estado do Rio não será superado no curto prazo. Mesmo com a recuperação da receita de royalties – pelo aumento do preço e da produção de petróleo -, a arrecadação futura ficará comprometida com a folha de pagamentos dos servidores ativos, inativos e pensionistas, além das obrigações financeiras assumidas durante esse período trágico de insolvência. O estado não tem mais capacidade de endividamento. A solução seria buscar uma saída junto a investidores privados, oferecendo-se alguma coisa em troca relacionada à concessão do metrô. No entanto, tal concessão já foi estendida por um prazo mais que razoável e será difícil convencer o atual concessionário (Invepar, ...

Um poço de petróleo recordista

Um poço de petróleo recordista GEORGE VIDOR* ,  Jornal do Brasil 06/04 às 15h29  - Atualizada em 06/04 às 15h32 Facebook Twitter Google+ LinkedIn WhatsApp Com apenas um poço em operação numa plataforma que não será a definitiva, o Campo de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos, atingiu um patamar de produção de 45 mil barris equivalentes de petróleo por dia. Não existe precedente no Brasil, e mesmo no exterior são raríssimos poços com esses índices de produtividade. Libra foi o primeiro campo do pré-sal a ser licitado sob o regime de partilha. Somente um consórcio se apresentou. Formado quase às pressas, o consócio teve 40% de participação da Petrobras, 20% da Shell, 20% da Total e os demais 20% divididos por duas companhias chinesas. Pela regra então vigente, a Petrobras seria forçosamente a operadora e deveria ter pelo menos 30% de participação no consórcio vencedor, qualquer que fosse ele.  Com os resultados que estavam sendo obtidos nos testes do cam...

Caldo de galinha e prudência não fazem mal

Caldo de galinha e prudência não fazem mal Jornal do Brasil GEORGE VIDOR* A inflação esfola; o câmbio mata. Os economistas já aprenderam isso, ao longo da História. Ainda mais para um país que não tem sua moeda ainda conversível no mercado internacional. Já se pode trocar reais por euros em Paris, Madri ou Lisboa, e também por dólares em Miami, porém a cotações bem desfavoráveis para quem deseja se desfazer da moeda brasileira. Nas cidades argentinas ou no Paraguai, o câmbio é mais favorável para o real, e não tanto em Santiago do Chile. Mas o real está muito longe de ser uma moeda conversível, embora o Brasil esteja entre as dez maiores economias do mundo. Como se dá a conversibilidade? Existe um componente de confiança que não é fácil de mensurar. Troca-se com facilidade dólares americanos, euros, ienes, francos suíços, coroas dinamarquesas, suecas e norueguesas, mas não ocorre o mesmo com o yuan chinês, o rublo russo, o real, o rande da África do Sul, a lira turca, a rúpia indi...

Um estranho no ninho do ‘Jornal do Brasil’?

Jornal do Brasil GEORGE VIDOR* A maré não está mesmo para peixe, mas não acreditem nessa conversa de que somos um país predestinado ao fracasso. Isso não existe na história. A Suécia era um país pobre há 150 anos. A Finlândia era vista como o fim do mundo por seus vizinhos há 40 anos (aqueles finlandeses com cabelos tão claros tinham o estereótipo de pessoas bêbadas e perigosas, porque seriam hábeis com armas brancas). A China era um horror antes de Deng Xiaoping  – e, sob certo ponto de vista, continua muito estranha. Por que só estas terras tropicais estariam condenadas a não prosperar?  A teoria econômica não conseguiu decifrar os segredos do desenvolvimento. Com a ajuda das Ciências Sociais e Humanas, Psicologia, principalmente, às vezes identifica algumas razões. Mas será sempre falha na tentativa de configurar um modelo de verdade absoluta. No entanto, sabemos, pela experiência e comprovação prática, que existem alguns pressupostos para o desenvolvimento. Não podemos ...

Despedida

Despedida POR  GEORGE VIDOR 17/02/2018 06:37 Nesta segunda-feira, 19-2-2018, os leitores não encontrarão mais minha coluna semanal no GLOBO. Publicada há mais de 20 anos, faz parte de uma história que começou em 1972, quando tinha apenas 19 anos e estava no primeiro ano da faculdade de economia. Como começara a trabalhar aos 16 anos e meio (rsrsrs), já me achava um repórter "tarimbado" quando fui convidado por Ismar Cardona para uma nova Editoria de Economia que O GLOBO estava montando, dentro de uma estratégia maior de renovação do jornal. Começara no extinto Correio da Manhã, e já passara pela sucursal Rio da Tribuna da Bahia, pelo Boletim Cambial (BC Diário) e pela sucursal Rio da Gazeta Mercantil. Mas era apenas um jovem pretensioso, já carregando amarguras do envolvimento político equivocado na adolescência. Quando entrei para O GLOBO acho que metade dos amigos deixou de falar comigo. Exageros à parte, muitos não entendiam porque eu revelava entusiasmo em trabal...

Huashuashuashuash

Huashuashuashuash POR  GEORGE VIDOR 14/02/2018 19:41 Economia brasileira vive nova realidade com taxas de juros mais baixas na era do real Muitos leitores não vão entender o título. É uma expressão que os mais jovens costumam usar em redes sociais para expressar uma risada, um contentamento. Como estamos em novos tempos, e ainda é carnaval, "huashuashuashuash", no caso, é de alegria, para comemorar entusiasticamente o mais baixo patamar de taxas básicas de juros nominais da história do real. Juros básicos de 6,75%, sem pirotecnias, é total novidade em nosso país. E como qualquer experiência nova, será preciso testá-la na prática. A inflação tem dado sinais de que se acomodará em um patamar abaixo de 4% em 2018. Nem sequer sabemos quais serão os candidatos a presidente da República, ou a governador e a senador na grande maioria dos estados, e a economia brasileira segue em ritmo de recuperação, mesmo que lenta. A previsão do governo é que 2,5 milhões de postos e tra...

Até o Conselheiro

Até o Conselheiro POR  GEORGE VIDOR 05/02/2018 10:43 Mesmo achando que o sertão vai virar praia, Conselheiro concordaria que a previdência precisa de uma reforma O ministro Henrique Meirelles é ou não é candidato? Segundo as palavras do atual condutor das finanças públicas federais, reafirmadas sexta-feira na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), ele continua a dedicar todas as suas energias para que a economia do país volte a alçar voo. Meirelles não tem apoio partidário, o que torna a sua eventual candidatura a presidente da República muito difícil. Mas é um nome de credibilidade.  O que já fez no Banco Central, no Ministério da Fazenda e na vida empresarial o credencia a ocupar o cargo. Porém, todavia, contudo, isso não é suficiente. A ultra carente população brasileira sempre almeja por um líder que nos ajude a atravessar o deserto em busca da terra prometida. Nessa procura angustiante, políticos carismáticos e messiânicos levam vantagem, o que abre esp...

Águas rolando

Águas rolando POR  GEORGE VIDOR 29/01/2018 12:18 Menos aflitos, meios empresariais estão inclinados a apoiar Alckmin Com a candidatura Lula fora do páreo, por força da Lei da Ficha Limpa, os meios empresariais estão agora menos aflitos diante da disputa eleitoral deste ano e talvez se unam em torno de uma candidatura de centro, provavelmente a de Geraldo Alckmin, atual governador de São Paulo. Alckmin não é um pré-candidato capaz de provocar paixões nos eleitores. Mesmo entre seus aliados, há quem o veja como um político que nunca perdeu as características de prefeito do interior (médico, começou a carreira política em Pindamonhangaba, sua cidade natal). Porém o que não lhe falta é experiência e argúcia na articulação política. Ninguém governou o principal estado da federação mais tempo do que ele (nem o lendário Adhemar de Barros). Com 44 milhões de habitantes, São Paulo é um “país”, mais populoso que as regiões Norte e Centro-Oeste somadas. Cheio de problemas, sim, mas...