À espera de pacto com São Pedro
À espera de pacto com São Pedro
Coluna veiculada na edição de 5/8/2014 da revista vespertina digital O Globo a Mais, dirigida a assinantes que a leem em tablets e smartphones:
As geradoras de energia elétrica (usinas hidrelétricas e térmicas)
estão tendo também prejuízos com a atual conjuntura do mercado de
eletricidade no Brasil, conforme chamou bem atenção reportagem
publicada segunda-feira no GLOBO. A escassez de água faz com que
muitas hidrelétricas não tenham condições de cumprir contratos de
venda tanto para distribuidoras de eletricidade como para clientes que
negociaram livremente o insumo. Desse modo, a "diferença" é coberta
por quem tem energia excedente. E o pagamento é feito por regras que
independem da situação de caixa das geradoras. No mercado de curto
prazo, o ajuste se dá pelo preço de liquidação de diferenças (PLD),
que é calculado por um modelo matemático que é em grande parte
calcado na capacidade de oferta das hidrelétricas.
O problema é que o PLD vem se mantendo muita acima do custo médio de
geração das hidrelétricas e das usinas térmicas. Quando essas empresas
precisam se ajustar pelo mercado de curto prazo sofrem um rombo
financeiro cavalar. Na prática, perdem capital. Ficam sem condições de
investir.
O governo está de braços cruzados, talvez apostando em um pacto com
São Pedro, que traga de volta grande volume de chuvas a partir de
novembro. Isso faria o preço da energia cair no mercado de curto
prazo.
Além do pacto celestial, conta com o fim das concessões de
hidrelétricas que estão hoje nas mãos de companhias estaduais, como
Cesp, Cemig e Copel. Tais usinas serão leiloadas por uma nova regra;
serão assumidas por prestadores de serviços, encarregados de
administrá-las. Nesse caso, o preço da energia se baseará apenas na
manutenção das usinas, pois o investimento é considerado totalmente
amortizado pelo governo (critério sujeito a polêmicas e brigas
judiciais por parte dos atuais concessionários, que alegam não terem
recuperado inteiramente o que investiram nas hidrelétricas). De
qualquer forma, a energia originária dessas usinas será mais barata,
derrubando, na média, os valores estabelecidos no mercado regulado.
Seja como for, a energia é um abacaxi que terá de ser descascado pelo
futuro presidente em 2015, qualquer que venha a ser o ocupante do Palácio do Planalto.
estão tendo também prejuízos com a atual conjuntura do mercado de
eletricidade no Brasil, conforme chamou bem atenção reportagem
publicada segunda-feira no GLOBO. A escassez de água faz com que
muitas hidrelétricas não tenham condições de cumprir contratos de
venda tanto para distribuidoras de eletricidade como para clientes que
negociaram livremente o insumo. Desse modo, a "diferença" é coberta
por quem tem energia excedente. E o pagamento é feito por regras que
independem da situação de caixa das geradoras. No mercado de curto
prazo, o ajuste se dá pelo preço de liquidação de diferenças (PLD),
que é calculado por um modelo matemático que é em grande parte
calcado na capacidade de oferta das hidrelétricas.
O problema é que o PLD vem se mantendo muita acima do custo médio de
geração das hidrelétricas e das usinas térmicas. Quando essas empresas
precisam se ajustar pelo mercado de curto prazo sofrem um rombo
financeiro cavalar. Na prática, perdem capital. Ficam sem condições de
investir.
O governo está de braços cruzados, talvez apostando em um pacto com
São Pedro, que traga de volta grande volume de chuvas a partir de
novembro. Isso faria o preço da energia cair no mercado de curto
prazo.
Além do pacto celestial, conta com o fim das concessões de
hidrelétricas que estão hoje nas mãos de companhias estaduais, como
Cesp, Cemig e Copel. Tais usinas serão leiloadas por uma nova regra;
serão assumidas por prestadores de serviços, encarregados de
administrá-las. Nesse caso, o preço da energia se baseará apenas na
manutenção das usinas, pois o investimento é considerado totalmente
amortizado pelo governo (critério sujeito a polêmicas e brigas
judiciais por parte dos atuais concessionários, que alegam não terem
recuperado inteiramente o que investiram nas hidrelétricas). De
qualquer forma, a energia originária dessas usinas será mais barata,
derrubando, na média, os valores estabelecidos no mercado regulado.
Seja como for, a energia é um abacaxi que terá de ser descascado pelo
futuro presidente em 2015, qualquer que venha a ser o ocupante do Palácio do Planalto.
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