À espera de pacto com São Pedro

À espera de pacto com São Pedro

POR GEORGE VIDOR
Coluna veiculada na edição de 5/8/2014 da revista vespertina digital O Globo a Mais, dirigida a assinantes que a leem em tablets e smartphones:
As geradoras de energia elétrica (usinas hidrelétricas e térmicas) 
estão tendo também prejuízos com a atual conjuntura do mercado de 
eletricidade no Brasil, conforme chamou bem atenção reportagem 
publicada segunda-feira no GLOBO. A escassez de água faz com que 
muitas hidrelétricas não tenham condições de cumprir contratos de 
venda tanto para distribuidoras de eletricidade como para clientes que 
negociaram livremente o insumo. Desse modo, a "diferença" é coberta 
por quem tem energia excedente. E o pagamento é feito por regras que 
independem da situação de caixa das geradoras. No mercado de curto 
prazo, o ajuste se dá pelo preço de liquidação de diferenças (PLD), 
que é calculado por um modelo matemático que é em grande parte 
calcado na capacidade de oferta das hidrelétricas. 
O problema é que o PLD vem se mantendo muita acima do custo médio de 
geração das hidrelétricas e das usinas térmicas. Quando essas empresas 
precisam se ajustar pelo mercado de curto prazo sofrem um rombo 
financeiro cavalar. Na prática, perdem capital. Ficam sem condições de 
investir. 
O governo está de braços cruzados, talvez apostando em um pacto com 
São Pedro, que traga de volta grande volume de chuvas a partir de 
novembro. Isso faria o preço da energia cair no mercado de curto 
prazo. 
Além do pacto celestial, conta com o fim das concessões de 
hidrelétricas que estão hoje nas mãos de companhias estaduais, como 
Cesp, Cemig e Copel. Tais usinas serão leiloadas por uma nova regra; 
serão assumidas por prestadores de serviços, encarregados de 
administrá-las. Nesse caso, o preço da energia se baseará apenas na 
manutenção das usinas, pois o investimento é considerado totalmente 
amortizado pelo governo (critério sujeito a polêmicas e brigas 
judiciais por parte dos atuais concessionários, que alegam não terem 
recuperado inteiramente o que investiram nas hidrelétricas). De 
qualquer forma, a energia originária dessas usinas será mais barata, 
derrubando, na média, os valores estabelecidos no mercado regulado. 
Seja como for, a energia é um abacaxi que terá de ser descascado pelo 
futuro presidente em 2015, qualquer que venha a ser o ocupante do Palácio do Planalto.

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