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A travessia
A travessia
Ainda não estou entusiasmado com a recuperação da economia brasileira, porque por enquanto há um grande descompasso entre os setores voltados para a exportação e os que se dedicam ao mercado doméstico. Em algum momento, mais à frente, o efeito multiplicador da exportação deverá beneficiar os demais setores, mas enquanto isso não chega teremos que amargar indicadores negativos que acabam confundindo os observadores sobre o real estado da economia brasileira. Para ganhar mais ânimo e esquecer um pouco os problemas econômicos, resolvi concretizar um sonho (também era agora ou nunca, pois os anos vão passando e o esforço físico acaba sendo maior quando a idade começa a pesar): fazer a travessia entre Petrópolis e Teresópolis, pelo alto das montanhas. Aqui neste blog - quem estiver interessado pode procurar no histórico - já descrevi a sensação de ir à Pedra do Sino (ponto culminante da Serra dos Órgãos, ou melhor, de toda a Serra do Mar), no lado de Teresópolis, e ao Açú (no lado de Petrópolis). Chegou a vez de fazer a travessia entre ambos. A época do ano adequada para essa aventura é o inverno, de junho a agosto, porque diminui o risco de mau tempo. Estando lá em cima, a mais de dois mil metros de atitude, não dá para sair correndo se cair uma tempestade. Grande parte da caminhada é feita sob o sol. E no inverno, a temperatura fica mais agradável, isso durante o dia, é claro, pois já no entardecer ela despenca (e como se dorme em barracas, o frio pode ser terrível, como aconteceu no nosso acampamento, na segunda noite, no Campo das Antas, quando a temperatura ficou negativa). O chefe da expedição foi novamente o guia Marcos Werneck http://www.rioserra.com.br/trekking(já citado anterioemente neste blog), lá de Petrópolis, com dois bravos ajudantes, Edvandro e Roni, que também não conheciam os chamados campos de altitude. Os dois são de Santo Aleixo, região que faz parte da Área de Proteção Ambiental de Petrópolis, mas fica próximo à subida da serra de Teresópolis. Edvandro, um rapaz de 18 anos, já catalogou mais de cem pássaros diferentes e sabe reconhecê-los de longe. Então a travessia foi também rica em informações, pois ele dividia suas observações conosco, identificando ora uma orquídea, ora uma bromélia ou um pássaro (chegou a coletar restos de regurgitação de uma coruja, para analisá-los, em casa; Edvandro sem dúvida será um futuro cientista da Mata Atlântica, se tiver oportunidade de continuar estudando). Pelo que Edvandro e Roni descreveram, vale a pena conhecer as trilhas de Santo Aleixo,cujas características são mais de floresta densa, parte da qual ainda primária. Veja mais detalhes no site deleshttp://www.artnagual.com.br Voltando à travessia, entramos no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no alto do Bomfim (subindo por Correias, Petrópolis), por volta de onze da manhã. A subida é cansativa, mas a vista é deslumbrante. Quem não quiser se arriscar a dormir no relento, pode fazer - sempre com guia; vamos incentivar o ecoturismo, pessoal! - parte dessa trilha, chegando por exemplo à Pedra do Queijo. No fim do tarde, atingimos o topo da montanha. De um lado, víamos todo o vale do Bomfim, Correias, o centro de Petrópolis, a Pedra da Maria Comprida (Araras). E de outro, a Baía de Guanabara. O céu estava limpo, a lua cheia apareceu exuberante e tivemos de fazer mais meia hora de caminhada à noite, pelo chapadão do Açu. O acampamento foi armado em um pequeno vale (mais protegido de ventos), próximo à Pedra do Açu- que tem um formato de peixe, e segundo o Marcos deveria ser tomada como Monumento Natural. Havia várias outras pessoas acampadas lá, mas somente algumas fizeram a travessia no dia seguinte. Nosso guia tem um esquema prático para o jantar, que consiste em cozinhar arroz com algum sabor (no caso, foi brócolis ou curry) em um pequeno fogareiro. Quando o arroz está quase pronto, o que pode levar de quinze a vinte minutos, ele põe por cima frango assado desfiado. A água restante do arroz faz com que a carne do frango fique macia. O arroz com sabor de brócolis e o frango são servidos com batata palha e salada de broto. Não sei se foi a caminhada que abriu o apetite, mas achei nosso jantar muito saboroso. Depois foi entrar no saco de dormir, dentro da barraca, e tentar dormir até o amanhecer. (continua) A primeira foto é do nascer do sol, visto do nosso acampamento, próximo à Pedra do Açu. A segunda é do sol se pondo lá no Chapadão do Açu. A terceira é de quando chegamos no topo do chapadão, depois de uma subida bem pesada (ao fundo, a Pedra do Açu; deste ângulo ainda não é possível ver o seu formato de peixe).
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