Bate e volta nos Lençóis (II)

Bate e volta nos Lençóis (II)

POR GEORGE VIDOR
O filme Casa de Areia, de Andrucha Waddington, com Fernanda Montenegro e Fernanda Torres, desperta ainda mais a curiosidade de todos sobre os Lençóis Maranhenses. Anos atrás o acesso era quase impossível (podia levar de oito a quinze horas de São Luís a Barreirinhas). Nos anos 60, a Petrobras andou fazendo levantamentos sísmicos nos Lençóis, mas não chegou a explorá-los. A bacia sedimentar em frente aos Lençóis, no mar, se chama Barreirinhas nome da cidade é que é a principal "porta" de entrada para os Lençóis . Agora a estrada que vai para os Lençóis está excelente. Pavimentada em 2002, por ela não passa tráfego pesado. São 150 quilômetros quase em linha reta. De São Luís até o início dessa estrada são mais 100 quilômetros, também em condições razoáveis, e com muito movimento pois o acesso à Ilha de São Luís só se faz por essa rodovia, e por uma ponte, que está parcialmente interditada. O turismo já está mudando a região. Ao longo da estrada se vê pequenos assentamentos, com casas de alvenaria, telhado, paredes com reboco e energia elétrica. Quem conhece o interior mais pobre do Maranhão sabe o avanço que isso significa. Uma sugestão de parada (os ônibus e vans que fazem a ligação com os Lençóis também param ali), após a cidade histórica de Rosário, e no quilômetro zero da estrada nova: a pousada quebra anzóis. que oferece ótimo café da manhã (R$ 6 por pessoa), serve uma boa pizza e possui banheiros limpos. No meio da nova estrada fica o acesso para Santo Amaro do Maranhão, o povoado que serviu de retaguarda para a filmagem de Casa de Areia. Santo Amaro ainda não tem infra-estrutura turística, mas é mais próxima dos dois oásis isolados dos Lençóis, onde vivem algumas famílias de pescadores (o filme supostamente mostra um deles), em economia de subsistência. O melhor mesmo é ir para Barreirinhas. A cidade constrasta com o bom estado da estrada. Só agora as ruas começam a receber pavimentação, mas já tem boas pousadas (no centro, a melhor é a Buritis; no entanto, a recomendação é ir para uma pousada resort do Rio Preguiças que, fica fora do centro). Meu programa foi bate e volta; então não fiquei em nenhuma delas - só deu para tomar um banho em uma pousada da rua principal, ao lado das agências que levam as pessoas para a visita às lagoas (procurem a Telma, que é natural de Barreirinhas; ela pode dar boas dicas). As lagoas Azul e Bonita são as maiores dos Lençóis. Toyotas adaptados fazem o trajeto para lá, em caminhos de areia, cortando áreas rurais isoladas. É um sacolejo só. A Azul tem a vantagem de ficar mais perto ( nove quilômetros de sacolejo); a Bonita é mais distante (22 quilômetros), porém está cercada por várias outras pequenas lagoas e permite uma visão mais ampla dos Lençóis. As cenas de deserto da novela O Clone foram feitas na área da Lagoa Bonita. O que faz lá? Caminhar pelas dunas - sem ir muito longe, para ninguém se perder - e ficar sentado dentro da lagoa, por causa do calor. É programa para poucas horas. Não vi, mas nos disseram que o pôr do sol na Lagoa Azul é muito bonito. Uma alternativa é descer o Rio Preguiça até a foz, de barco. Em vários pontos dessse trecho do Rio os Lençóis se aproximam, e é possível vê-los sem ter de passar pelo sacolejo nos Toyotas. O barco vai ate Caburé e Atins, onde o rio se encontra com o mar; tem-se então a sensação da imensa praia deserta (70 quilômetros) que acompanha os Lençóis. Há quem opte por passar uma noite em Caburé, em pousadas rudimentares. Nesse caso, leve repelente, pois quando o sol se põe... O visual dos Lençóis é de fato lindo e já é possível comer razoavelmente em Barrerinhas. Mas quem for lá não espere conforto. Tudo fica meio longe e a região ainda começa a ser um destino turístico. É possível ir de avião de São Luís a Barreirinhas (vôo de uma hora, em monomotor para quatro passageiros e dois tripulantes), de segunda a sexta. Uma nova pista está sendo construída para receber aviões maiores. O principal meio de transporte são os microônibus da Van Express ou a linha regular Cisne Branco. O artesanato com palha de buriti é orignário de Barreirinhas, mas não é encontrado facilmente. Na entrada das dunas da Lagoa Bonita, há algumas tendas , com bolsas, sandálias, tapetes, porta-água, etc., a preços honestos. As fotos abaixo foram tiradas nas dunas da Lagoa Bonita

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