De volta à labuta (1)

De volta à labuta (1)

POR GEORGE VIDOR
Tirei três semanas de férias e aproveitei para revisitar alguns lugares, além fazer umas caminhadas lá pela nossa região serrana. Mas começo meu relato de férias pela serra gaúcha. Conheci Gramado/Canela há uns vinte e tantos anos, quando fui cobrir um congresso de financeiras. Na época a região já era muito agradável, mas contava com poucos hotéis, pousadas e restaurantes. Hoje Gramado/Canela têm cerca de 130 hotéis e pousadas registrados, restaurantes para todos os gostos, lojas com preços convidativos e programas variados. Eles têm lá desde instalações com cinco a seis quartos até hotéis com mais de 80 apartamentos. Minhas sugestões: a preços convidativos, a Pousada Grosshaus (bem perto do centro), com uma bela vista para o vale do quilombo - que no sul significava área de salteadores, e não propriamente de escravos foragidos - com a desvantagem de não ter sauna; bem funcional é o Serra Azul (onde ficam as lojas); mais caro, porém ótimo é o Casa da Montanha, na avenida Borges de Medeiros (não há cidade do Rio Grande do Sul que não tenha uma avenida ou rua Borges), o chamado eixo das flores; ouvi muito elogios ao novo Vale das Bromélias; e para quem gosta de ficar mais retirado, todos sugerem o La Hacienda (fica a 35 quilômetros do centro de Gramado), com pensão completa. Em Canela, os guias recomendam a Pousada Cravo e Canela, antiga casa da família do falecido governador Ildo Meneghetti, adversário do Brizola. No caminho do Parque do Caracol, já em Canela, há também pousadas bem simpáticas e o maior hotel da região (o Continental). Vamos aos restaurantes: Gasthof Edelweiss, no Lago Negro, para quem gosta de comida alemã requintada; entre as galeterias, o Nonno Mio é imbatível, e tem um ambiente super-agradável; na linha dos fondues (e o que não falta é fondue em Gramado) e das pierrades (carne grelhada em pedra vulcânica), as dicas são o Petit Clos (no caminho do Lago Negro), o Chez Pierre (na Borges), e o Belle de Valais (avenida das Hortënsias). Compras: como há dezenas de lojas de roupas de couro, vale conferir os produtos da Black Bull e da Antílope, ambas na Borges; na loja de ponta de estoque da Empório K (entre Gramado e Canela), fábrica de sapatos femininos, as mulheres enlouquecem, porque os preços são bem atrativos. Chocolate: prefiro os da fábrica Planalto, mas a Prawer é a mais tradicional. Passeios: o Parque do Caracol continua sendo a principal atração, com uma queda dágua de quase 150 metros (pena que as águas estejam poluídas pelos esgotos da cidade de Canela....) e pequenas trilhas. Passando o Caracol há um outro parque (o da Ferradura, aberto há relativamente pouco tempo), com caminhadas mais pesadas. O canyon da Ferradura é muito bonito. Fora da cidade de Canela tem o parque da Cachoeira, que está sendo mais visitado porque foram gravadas lá algumas cenas dos primeiros capítulos da nova Chocolate com Pimenta , da TV Globo. Embora vivam basicamente do turismo, Gramado e Canela têm pequenas e médias indústrias moveleiras e confecções. A região foi ocupada inicialmente por madeireiros, mas não chegou a ser totalmente devastada. As propriedades rurais não pequenas e por isso os agricultores plantam hortigranjeiros até a beira da estrada. A colonização alemã chegou a um município vizinho (Nova Petrópolis); já Gramado foi compartilhado com os descendentes de imigrantes italianos. A Serra gaúcha é uma das ilhas de excelência do Brasil. Depois conto mais.

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