Dos tempos que gostava mais de música ao Victor Biglione

POR GEORGE VIDOR
Dos tempos que gostava mais de música ao Victor Biglione Sou incapaz de cantar uma música inteira. Não tenho qualquer habilidade para tocar um instrumento. E devo ter algum tipo de deficiência auditiva que me impede de entender exatamente as letras das canções. Mesmo assim sempre gostei de música. Meu pai trabalhava em uma gravadora e por conta disso vez às vezes assistia à gravação de algum disco (ou à masterização). Ele também tinha muitos discos no trabalho, incluindo vários importados, quase uma raridade na época (meados da década de 60). Como meus colega adolescentes eu gostava de rock, mas também me acostumei a ouvir música clássica ou bossa nova. Uma verdadeira miscelânea. A bossa nova foi o caminho para descobrir o jazz. O que acontecia nos Estados Unidos ou na Europa levava quatro, cinco ou seis anos para chegar aqui. E assim, no fim dos anos 60 as gravações do início da década ainda pareciam novidades, ao menos para mim. O jazz e a música instrumental, de maneira geral, evoluíram nos anos 70 e 80 para uma linha que não me agradava, embora a qualidade das gravações e dos próprios músicos tenha melhorado nesse período. Isso somado à falta de tempo fez com que fosse me distanciando, e me desinformando sobre o que estava acontecendo nesse mundo da música. Minhas referências musicais continuaram sendo as das décadas de 60 e 70 e por isso raramente compro CDs ou tomo a iniciativa de ouvir música em casa ( no carro, às vezes fico saturado do noticiário e fico repetindo uma ou outra gravação que tenha redescoberto). Mas ainda tenho enorme prazer em ouvir boa música e venho tendo essa oportunidade depois que um filho meu comprou em sociedade um pequeno restaurante no Downtown, na Barra da Tijuca, cuja atração nas noites de sexta e sábado é exatamente música ao vivo. Outro dia o guitarrista Victor Biglione se apresentou lá com o grupo que normalmente toca às sextas e fiquei entusiasmado com a performance. Quando não saio do Rio aos sábados tenho ido assistir ao Mamboquesambo do trumpetista Walmyr Andrade (padrão Primeiro Mundo, creiam). Em homenagem a esses músicos - acrescida de uma dose de nepotismo - faço aqui o registro: na sexta, dia 12, o Victor volta a tocar no D`Vino. Se seu gosto musical se assemelha ao que descrevi, é uma boa pedida. E se não puder, tente ouvi-lo em alguma outra apresentação. Walmyr e seu grupo são também uma grata surpresa para quem ainda não os conhecem.

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