Em 2007 a briga contra os juros altos vai continuar

Em 2007 a briga contra os juros altos vai continuar

POR GEORGE VIDOR
É de se esperar que em algum momento no ano que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduza o ritmo de redução das taxas básicas de juros. Muitos analistas já estão interpretando o texto da última ata como um aviso de que isso poderá ocorrer já na reunião de janeiro. Mas as estatísticas sobre o desempenho da economia brasileira mostram que ainda é cedo para se jogar a toalha nessa briga. O Brasil ficou viciado em juros exagerados e por isso quando as taxas básicas recuaram para 13,25% muita gente respirou aliviada. No entanto, 13,25% continuam sendo uma aberração, com conseqüências funestas para as finanças públicas e para a curva de juros em geral, além de distorcer o câmbio e contribuir para a realimentação da inflação (via déficit público e emissão disfarçada de moeda ao se repartir com estados e municípios a arrecadação de Imposto de Renda incidente sobre juros não quitados efetivamente pelo Tesouro, mas sim refinanciados com o lançamento de novos títulos). Os dados da economia não sugerem qualquer aquecimento - já há uma torcida para que o país consiga em 2007 crescer 3,5%, pelo menos, o que é um percentual para lá de sofrível no atual contexto mundial - e nem ameaças de repique inflacionário. A oportunidade para se baixar os juros foi criada e por que então não aproveitá-la? Há espaço para mais um corte de meio ponto percentual na taxa Selic em janeiro. Aí depois do carnaval essa estratégia pode ser revista.

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