Gangorra das ações da Petrobras, mera especulação

Gangorra das ações da Petrobras, mera especulação

POR GEORGE VIDOR
Coluna veiculada na edição de 19/8/2014 da revista digital vespertina O Globo a Mais, dirigida a assinantes que a leem em tablets e smarthphones:
As ações da Petrobras se desvalorizaram demasiadamente nos últimos 
meses e por isso estão em um patamar que facilita os movimentos 
especulativos, como os ocorridos desde que foi deflagrada a corrida 
para a sucessão presidencial. 
A especulação se acentua quando as pesquisas mostram a presidente 
Dilma em trajetória de queda, na suposição de que um novo governo 
afastará da Petrobras a influência política. 
Não há ninguém ingênuo nesse mercado, de modo que tal hipótese é 
apenas um pretexto, pois enquanto existir como empresa estatal (e a 
possibilidade de privatização da companhia é praticamente zero) a 
Petrobras sempre sofrerá interferência de quem estiver no poder, mais 
brandas ou mais intensas, dependendo do viés ideológico do partido que 
ocupar o Palácio do Planalto.. 
O outro fator que favorece a especulação é que, mesmo com resultados 
ruins e sofríveis, os preços das ações da Petrobras não refletem o 
potencial da companhia para aos próximos anos. A dívida é alta, mas do 
outro lado há patrimônio valioso. A companhia poderia equacionar essa 
dívida com rapidez e acelerar investimentos mais promissores, 
especialmente os do pré-sal, se usasse algum desses ativos para 
reduzir substancialmente o endividamento. 
Reajustes nos preços da gasolina, do diesel e do GLP reforçariam o 
fluxo de caixa da Petrobras, mas essa questão da dívida vem pesando 
mais. 
Por isso, a Petrobras se tornou um prato cheio para os movimentos 
especulativos. Coitados dos investidores que apostaram nas ações da 
empresa anos atrás e ficam acompanhando, atônitos, essa gangorra na 
bolsa

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