Juros altos têm de ser passageiros

Juros altos têm de ser passageiros

POR GEORGE VIDOR
Com a inflação em patamar acima de 7%, medida pelo índice oficial (o IPCA, do IBGE), o Banco Central precisou dar mais uma demonstração de que não ficará de braços cruzados e se propõe a adotar juros estratosféricos para derrubar as expectativas que acabam acelerando a alta dos preços.
No curto prazo, parece mesmo não existir outra saída, pois os demais instrumentos que podem conter a inflação somente fotram acionados há pouco tempo.
Mas ninguém se iluda. Juros anormais embaralham os fluxos de capitasi na economia. Existem poucos mecanismos de poupança de longo prazo na economia. Eventuais poupadores individuais não têm qualquer chance em um mercado de capitasi pigmeu, em que jogadores profissionais dão as cartas, e por isso quase não se pode contar com ele. Restam apenas investidores institucionais, como fundos de previdência privada e seguradoras, mas esses agora certamente não estarão dispostos a se arriscar em financiar investimentos de infraestrutura (ou quaisquer outros na cadeira produtiva ) se podem confortavelmente atingir seus objetivos atuariais cocnentrando suas carteiras em títulos do Tesouro Nacional.
Por isso, juros altos somente são aceitáveis como uma tratamento passageiro, de curtíssimo prazo, para tirar o doente do estado grave e agudo. Não pode ser um remédio de uso permanente, porque mata o doente.

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