Nas terras lusitanas (1)

POR GEORGE VIDOR
Nas terras lusitanas (1) A cada visita gosto mais de Portugal. Passei muito tempo sem ir lá, até que surgiram algumas oportunidades e em um período relativamente curto (de 2000 para cá) consegui visitar o país três vezes. Mas talvez nessa mais recente visita - fui participar em novembro de um seminário promovido pela Fundação Luso-Brasileira - é que Portugal se encaixou melhor na minha cabeça. A visão de um Portugal pobre e atrasado não bate com a sua história. Muitas cidades do interior ainda guardam um grande acervo medieval (Portugal talvez seja o país europeu com mais cidades que reúnem essas características), o que dá bem a estoque de capital que deveria existir antes do início das grandes navegações. Portugal se sentia suficientemente fortalecido para conquistar o Marrocos, fazendo o caminho inverso ao dos mouros, e esse momento infeliz possivelmente mudou a história do país (da mesma maneira que o naufrágio da Invencível Armada mudou a história da Espanha, da Europa, e quiçá do mundo). O desaparecimento do rei D. Sebastião - que não tinha herdeiros - durante a batalha de Alcácer-Qibir fez com que a dinastia dos Avis terminasse e começasse a dos Bragança, construtores de grandes palácios. Os Braganças eram meio"nômades", pois tinham várias residências, uma de acordo com cada época do ano. Mesmo em Lisboa, desde o território que devastou a cidade, usavama vários palácios. D. João VI morou dois anos em Mafra. D. Maria I (a louca) preferia Queluz - onde nasceu e morreu nosso (e deles ) Pedro I.

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