Petrobras na petroquímica, uma incógnita

Petrobras na petroquímica, uma incógnita

POR GEORGE VIDOR
Tudo o que se refere à Petrobras é importante para o Rio. É no Rio que a estatal concentra seus maiores investimentos, o que é compreensível, pois sua principal fonte de lucros vem das atividades de exploração e produção, e a Bacia de Campos responde por mais de 83 % do petróleo extraído no Brasil. O petróleo é finito, mas até lá o Rio de Janeiro pode usá-lo como oportunidade e alavanca para desenvolver diversos setores correlatos e que até possam sobreviver à exaustão das reservas de hodrocarbonetos (embora se acredite que isso não ocorrerá tão cedo, pois é grande a possibilidade de novas descobertas, inclusive em uma nova frente, a Bacia de Santos).
A indústria petroquímica é sem dúvida uma dessas oportunidades que o Rio precisa se agarrar com unhas e dentes. O pólo de Itaguaí foi um passarinho que voou, mas Duque de Caxias acabou apanhando o bastão caído na corrida de obstáculos do setor. Ao lado da refinaria já se criara um mini-pólo, a partir da antiga Fabor (hoje Petroflex), da qual se derivou a Nitriflex. O primeiro grande investimento privado na área foi a Braspol, que, após sucessivas mudanças societárias, passou a se chamar Suzano. E vizinha a ela surgiu a grande Rio Polímeros, primeiro pólo gás-químico do Brasil.
Tanto a Rio Polímeros como a Suzano dependem de matéria-prima para se expandir e esse fornecimento está basicamente nas mãos da Petrobras, que já é um dos sócios da Riopol. A Petrobras também está capitaneando o projeto de instalação de uma refinaria petroquímica em Itaboraí (a partir de uma proposta inicial de um grupo privado, o Ultra, que, aparentemente também jogou a toalha diante do desafio tecnológico que será produzir indumos petroquímicos a partir de petróleo pesado e do volume de investimentos necessários ao empreendimento).
No atual jogo de xadrez da petroquímica, ou o grupo Suzano partia para lances mais ousados ou desistia, o que acabou sendo sua opção. A Petrobras talvez tenha visto na compra do ramo petroquímico do grupo Suzano uma chance de recuperar posiçãono setor. A estatal sequer tem em seu quadro profissional um número de executivos suficientemente qualificados para estar à frente de empresas petroquímicas. Para tal tarefa, vinha recorrendo ao corpo gerencial de refinarias, numa adaptação difícil e com risco de não dar resultado. A compra da Suzano Petroquímica poderá suprir essa lacuna.
O jogo continua. A Petrobras tem no momento muita sobra de caixa, pois seus planos de investimento foram traçados, por precaução, a partir de uma previsão conservadora, e o recuo nos preços do petróleo (felizmente para a empresa) não está se consumando. A estatal não consegue acelerar ou ampliar investimentos nas suas principais atividades, pois a indústria e demais fornecedores não respondem a esse incremento de demanda sem elevar os custos absurdamente (no ritmo atual, os custos já subiram muito). Então, a empresa se tornou compradora no mercado, em um movimento cuja direção ninguém ao certo pode agora garantir para onde vai.
A Petrobras teria mais de US$ 20 bilhões em caixa, dos quais US$ 7 bilhões seriam uma sobra - de acordo com o programa de investimentos estratégicos traçados até 2012. 

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