PIB encolhe, mas não por culpa da Copa
PIB encolhe, mas não por culpa da Copa
Coluna veiculada na edição de 26/8/2014 da revista vespertina digital O Globo a Mais, voltada para assinantes que a leem em tablets e smartphones:
A divulgação da estimativa preliminar do PIB (Produto Interno Bruto)
do segundo trimestre na sexta-feira, pelo IBGE, terá sabor especial
por causa da campanha eleitoral, que começa a esquentar. A economia
vem sendo apontada como um dos pontos frágeis da candidatura Dilma
devido ao baixo crescimento.
O governo achava que tinha encontrado a fórmula para evitar que a
crise financeira internacional atingisse o Brasil. Não só acreditou
nela, como chegou a querer ditar regras para o resto do mundo.
A realidade se mostrou mais dura e a economia se defrontou com uma
série de constrangimentos, que não apenas a impedem de crescer, como
mantêm a inflação em patamar elevado e tornaramm o país mais
dependente de financiamentos externos.
Dessa forma, o governo acabou vítima de seu próprio discurso, e não
consegue valorizar transformações importantes que ocorreram, estão em
curso ou irão se materializar em futuro próximo (embora nem todas
sejam decorrentes da ação da atual administração). Mesmo com
crescimento minguado, o país tem hoje índices de desemprego
invejáveis, e com formalização crescente, o que garante os salários
reais. É claro que é um quadro que não se perpetuará se a economia não
reagir. No entanto, isso parece ser mais uma ameaça do que uma
situação concreta para a maioria dos eleitores, no momento.
Se for confirmado que o PIB encolheu no segundo trimestre (no mercado
financeiro a expectativa é de uma retração da ordem de 0,3% em relação
ao primeiro trimestre), os candidatos de oposição terão um dado
negativo para apalpar. O governo poderá revidar afirmando que se trata
de uma situação passageira. E aí estará em teste a credibilidade da
presidente Dilma e de seus principais auxiliares.
É uma pena que esse resultado negativo, se confirmado,venha a ser
usado como argumento para reforçar o discurso daqueles que
combateram a realização da Copa do Mundo no Brasil.
O evento efetivamente afetou as estatísticas relativas a junho e parte
de julho, mas não foi o motivo do fraco desempenho da economia no
segundo trimestre. O efeito negativo se concentrou nesse período, mas
o positivo se diluiu por meses (e anos) que antecederam a Copa e
ainda será sentido por muito tempo à frente. Não fosse a Copa talvez o
resultado do segundo trimestre fosse até pior.
A economia perdeu fôlego no fim do ano passado em face do esgotamento
das alavancas que a impulsionaram nos últimos dez anos. E para se
recuperar depende de ganhos de produtividade, o que, por sua vez, vai
decorrer da conjugação de vários fatores, como a melhora da
infraestrutura (inclusive a urbana, para se recuperar a mobilidade
comprometida por engarrafamentos infernais nas cidades grandes e
médias), qualificação profissional, eficiência na gestão das empresas
e dos poderes públicos, etc., além de uma ajuda de São Pedro com
chuvas suficientes para encher os reservatórios.
do segundo trimestre na sexta-feira, pelo IBGE, terá sabor especial
por causa da campanha eleitoral, que começa a esquentar. A economia
vem sendo apontada como um dos pontos frágeis da candidatura Dilma
devido ao baixo crescimento.
O governo achava que tinha encontrado a fórmula para evitar que a
crise financeira internacional atingisse o Brasil. Não só acreditou
nela, como chegou a querer ditar regras para o resto do mundo.
A realidade se mostrou mais dura e a economia se defrontou com uma
série de constrangimentos, que não apenas a impedem de crescer, como
mantêm a inflação em patamar elevado e tornaramm o país mais
dependente de financiamentos externos.
Dessa forma, o governo acabou vítima de seu próprio discurso, e não
consegue valorizar transformações importantes que ocorreram, estão em
curso ou irão se materializar em futuro próximo (embora nem todas
sejam decorrentes da ação da atual administração). Mesmo com
crescimento minguado, o país tem hoje índices de desemprego
invejáveis, e com formalização crescente, o que garante os salários
reais. É claro que é um quadro que não se perpetuará se a economia não
reagir. No entanto, isso parece ser mais uma ameaça do que uma
situação concreta para a maioria dos eleitores, no momento.
Se for confirmado que o PIB encolheu no segundo trimestre (no mercado
financeiro a expectativa é de uma retração da ordem de 0,3% em relação
ao primeiro trimestre), os candidatos de oposição terão um dado
negativo para apalpar. O governo poderá revidar afirmando que se trata
de uma situação passageira. E aí estará em teste a credibilidade da
presidente Dilma e de seus principais auxiliares.
É uma pena que esse resultado negativo, se confirmado,venha a ser
usado como argumento para reforçar o discurso daqueles que
combateram a realização da Copa do Mundo no Brasil.
O evento efetivamente afetou as estatísticas relativas a junho e parte
de julho, mas não foi o motivo do fraco desempenho da economia no
segundo trimestre. O efeito negativo se concentrou nesse período, mas
o positivo se diluiu por meses (e anos) que antecederam a Copa e
ainda será sentido por muito tempo à frente. Não fosse a Copa talvez o
resultado do segundo trimestre fosse até pior.
A economia perdeu fôlego no fim do ano passado em face do esgotamento
das alavancas que a impulsionaram nos últimos dez anos. E para se
recuperar depende de ganhos de produtividade, o que, por sua vez, vai
decorrer da conjugação de vários fatores, como a melhora da
infraestrutura (inclusive a urbana, para se recuperar a mobilidade
comprometida por engarrafamentos infernais nas cidades grandes e
médias), qualificação profissional, eficiência na gestão das empresas
e dos poderes públicos, etc., além de uma ajuda de São Pedro com
chuvas suficientes para encher os reservatórios.
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