PIB encolhe, mas não por culpa da Copa

PIB encolhe, mas não por culpa da Copa

POR GEORGE VIDOR
Coluna veiculada na edição de 26/8/2014 da revista vespertina digital O Globo a Mais, voltada para assinantes que a leem em tablets e smartphones:
A divulgação da estimativa preliminar do PIB (Produto Interno Bruto) 
do segundo trimestre na sexta-feira, pelo IBGE, terá sabor especial 
por causa da campanha eleitoral, que começa a esquentar. A economia 
vem sendo apontada como um dos pontos frágeis da candidatura Dilma 
devido ao baixo crescimento. 
O governo achava que tinha encontrado a fórmula para evitar que a 
crise financeira internacional atingisse o Brasil. Não só acreditou 
nela, como chegou a querer ditar regras para o resto do mundo. 
A realidade se mostrou mais dura e a economia se defrontou com uma 
série de constrangimentos, que não apenas a impedem de crescer, como 
mantêm a inflação em patamar elevado e tornaramm o país mais 
dependente de financiamentos externos. 
Dessa forma, o governo acabou vítima de seu próprio discurso, e não 
consegue valorizar transformações importantes que ocorreram, estão em 
curso ou irão se materializar em futuro próximo (embora nem todas 
sejam decorrentes da ação da atual administração). Mesmo com 
crescimento minguado, o país tem hoje índices de desemprego 
invejáveis, e com formalização crescente, o que garante os salários 
reais. É claro que é um quadro que não se perpetuará se a economia não 
reagir. No entanto, isso parece ser mais uma ameaça do que uma 
situação concreta para a maioria dos eleitores, no momento. 
Se for confirmado que o PIB encolheu no segundo trimestre (no mercado 
financeiro a expectativa é de uma retração da ordem de 0,3% em relação 
ao primeiro trimestre), os candidatos de oposição terão um dado 
negativo para apalpar. O governo poderá revidar afirmando que se trata 
de uma situação passageira. E aí estará em teste a credibilidade da 
presidente Dilma e de seus principais auxiliares. 
É uma pena que esse resultado negativo, se confirmado,venha a ser 
usado como argumento para reforçar o discurso daqueles que 
combateram a realização da Copa do Mundo no Brasil. 
O evento efetivamente afetou as estatísticas relativas a junho e parte 
de julho, mas não foi o motivo do fraco desempenho da economia no 
segundo trimestre. O efeito negativo se concentrou nesse período, mas 
o positivo se diluiu por meses (e anos) que antecederam a Copa e 
ainda será sentido por muito tempo à frente. Não fosse a Copa talvez o 
resultado do segundo trimestre fosse até pior. 
A economia perdeu fôlego no fim do ano passado em face do esgotamento 
das alavancas que a impulsionaram nos últimos dez anos. E para se 
recuperar depende de ganhos de produtividade, o que, por sua vez, vai 
decorrer da conjugação de vários fatores, como a melhora da 
infraestrutura (inclusive a urbana, para se recuperar a mobilidade 
comprometida por engarrafamentos infernais nas cidades grandes e 
médias), qualificação profissional, eficiência na gestão das empresas 
e dos poderes públicos, etc., além de uma ajuda de São Pedro com 
chuvas suficientes para encher os reservatórios. 

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