Taxa de juros, de grão em grão...
Taxa de juros, de grão em grão...
As taxas de juros no Brasil continuam sendo um ponto fora da curva, se considerados os fundamentos da economia como um todo. No entanto, a fase mais terrível dessa aberração já passou, e prova disso é a recuperação de segmentos que dependem muito do crédito de longo prazo, como é o caso da construção de imóveis residenciais e dos investimentos em máquinas. Já há fila de espera para se comprar um caminhão novo e os lançamentos de unidades habitacionais estão superando todas as expectativas. A queda dos juros - somente possível devido à inflação estar comportada e, principalmente, pelo fato de a economia brasileira ter reduzido expressivamente sua dependência de financiamentos em moeda estrangeira - vai aos poucos eliminando a barragem que estabeleceu uma dicotomia na economia brasileira, com alguns setores indo muito bem e outros muito mal.
A redução dos juros também estanca um longo processo de transferência de renda na sociedade, que neutralizava todo esforço feito para se melhorar as condições de vida dos mais pobres por meio de diversos programas sociais.
Embora fatores negativos tenham surgido no horizonte (pressão sobre os preços causadas pela alta nas cotações do petróleo, metais, alimentos, etc.), a redução das taxas de juros proporciona um ganho de eficiência tão significativo para a economia, que ainda é possível continuar cortando os juros básicos nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) sem que isso ponha risco o alcance das metas de inflação. Este ano, mais uma vez a inflação medida pelo IPCA ficará no intervalo inferior da meta (entre 2,5% e 4,5%). No segundo semestre, é provável que ocorra uma desaceleração no ritmo de alta de preços dos itens que mais pesam no IPCA. A alta ocorrida no primeiro semestre criou, na verdade, uma folga para o primeiro semestre de 2008, pois houve uma recomposição nos preços relativos.
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