O bode e os juros

POR GEORGE VIDOR
O bode e os juros A sensação geral é de alívio diante da decisào do Copom (Comitê de Política Monetária) de corar os juros básicos para 20% ao ano. Mas lembra aquela história do bode, cuja versão mais corrente se refere à Rússia logo depois da revolução bolchevique. Tanto em São Petersburgo como em Moscou havia um problema habitacional terrível e as famílias eram amontoadas em residências coletivas, muitas das quais abandonadas pela aristocracia que tinha sido desalojada do poder quando o czar Nicolau II abdicou em fevereiro de 1917 sem conseguir que seu irmão fosse coroado em seu lugar. Nessas casas cada vez mais famílias eram alojadas até que a situação insurportável e os moradores resolveram protestar diante dos comissários do povo. Sem ter solução para o problema, os bolcheviques resolveram por um bode em cada uma dessas casas. Se a vida já estava terrível, passou a ser um inferno com a presença do bode. Um belo dia, os camaradas bolcheviques retiraram todos os bodes e os moradores das casas coletivas fizeram uma manifestação de agradecimento. Não há dúvida de que a economia vai melhorar com esse corte nos juros, pois a convivência com as taxas anteriores estava sendo terrível. Agora estamos na fase em que ainda continuamos amontoados nas casas coletivas. mas pelo menos sem o bode na sala.

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